A primeira etapa do projeto de Laboratórios de Pesquisa e Experimentação em Cultura
Digital “Jardins de Volts” realizou-se em duas instâncias:
Jardins de Volts do Sul: um laboratório radicado no sul do país, articulado por Guilherme
Soares (Glerm) e Simone Bittencourt;
Jardins de Volts do Nordeste: um núcleo de pesquisa centrado no nordeste, com a
articulação de Ricardo Ruiz, Ricardo Brazileiro e Thaís Brito.
No decorrer do primeiro semestre, procuramos nos concentrar na organização,
planejamento de ações e bases dialógicas para o fluxo local de cada laboratório. Para a
segunda fase teremos as itinerâncias e um intercâmbio de resultados e contextos destas
duas instâncias.
A equipe responsável pelo laboratório do Sul do país estabeleceu uma base em Curitiba,
para estes primeiros cinco meses de projeto. Entre as ação realizadas estão:
→ Articulação de espaços e divulgação: foi necessário um tempo para apresentações do
projeto e da própria temática de cultura digital dos hacklabs no meio artístico e cultural da
cidade, até que pudemos fixar um espaço para o laboratório. Encontramos uma perfeita
ressonância institucional do munícipio, recebendo como apoio um espaço oficial da
Fundação Cultural de Curitiba - a Sala C do Museu da Gravura (Solar do Barão, no centro
histórico da cidade)1.
Passaram então a funcionar os encontros semanais de “Introdução a Computação Poética e Eletrônica Artesanal” - como um laboratório aberto que, devido a sua localização, passou a
ser chamado de “Hacklab Solar”.

→ Metodologia de constantes iniciações, apresentações teóricas e práticas, grupos de
estudos: propusemos também uma série de experimentos, buscando uma didática que
permitisse abertura constante para iniciação à pesquisa artística com software e hardware
livres. A reflexão sobre entradas e saídas; sobre fluxos analógicos e digitais; da rua para a
máquina, da máquina para a rua; justapor diferentes campos do saber, diferentes
intervenções sobre a linguagem e os objetos... Através deste tipo de mediação - a retomada
semanal de oficinas introdutórias com interface pra outros campos do conhecimento -
amplia-se a possibilidade de participação para pessoas iniciantes na temática, e/ou no
contexto de laboratórios abertos ligados às tecnologias digitais.
Dentre estes experimentos, destacamos o trabalho de Cristiano Figueiró (músico e professor
de interatividade no Bacharelado em Interdisciplinar - UFBA ), que ministrou aos frequentadores do esporo uma oficina teórica e pratica sobre Inteligências Computacionais Musicais (sua atual pesquisa de doutorado). Iniciou-se a partir desta atividade um Grupo de Estudos de Música Computacional e Inteligência Artificial Musical.
Outro movimento importante dentro do laboratório é o Grupo de Estudos em Eletrônica
Artesanal e Computação Poética. Composto inicialmente por estudantes de comunicação,
psicologia e artes, interessados em ferramentas livres e experimentais para a produção
multimídia e em articular essas atividades com escolas da Região Metropolitana de Curitiba.
→ Construção de instrumentos, compilação de referencial teórico, narrativas e
procedimentos experimentais: começamos também uma proposição de construção de
instrumentos musicais digitais experimentais - o primeiro experimento foi a construção da
Bicicleta Eletroacústica na Bicicletaria Cultural, que terá desdobramentos na continuidade deste projeto.
Ao longo do desenvolvimento deste laboratório temos procurado reunir uma série de
manuais, códigos, pdfs, distribuições multimídia e vídeos, entre outras referências sobre
cultura arte e tecnologias livres e de código aberto. Disponibilizamos também uma
compilação de referências sobre arte e tecnologia, selecionadas pelo Prof. Cristiano Figueiró
(Interatividade – UFBA). Por enquanto o material está gradualmente disponível para
consulta local e cópia, e no decorrer da segunda fase agendamos sessões de cineclube e
disponibilizar essas referências também online. A idéia é organizar uma biblioteca básica
de cultura digital.
→ Documentação sobre a cena de cultura digital, suas visões de mundo, de trabalho,
conhecimentos e instrumentos compartilhados – uma série de entrevistas com pessoas e
grupos entusiastas da cultura digital, em suas mais diversas abordagens (técnica, artística,
popular, didática, etc) - em busca de um mapeamento das ferramentas, metodologias,
procedimentos e ações coletivas necessários para trabalhar com cultura digital.
A parte de vídeo teve início no Fórum Internacional de Cultura Digital do Rio de Janeiro
(MAM-Rio), e foram ouvidas, entre outras pessoas, Cinthia Mendonça (MSST e hacklab rural
nuvem.tk), Amir Taaki (bitcoin1), Jarbas Jácome (interatividade/UFRB), Giuliano Djahjah (Pontão da Eco), Pedro Markun (Transparência Hacker), Orlando Silva (Metareciclagem.org). Uma prévia dessas entrevistas está disponível no DVD anexo. As próximas entrevistas estão marcadas para acontecerem em chats de protocolo IRC, com os seguintes labs conectados aos jardins de volts: LabMacambira (São Carlos) e LabSurLab (conexão América Latina - http://labsurlab.org )


Ainda durante este período, iniciamos uma metodologia de documentação que chamamos
Cozinhando Dados Críticos: Livro de poções, mandingas e feitiços tecnomágicos e
outros placebos. Retomando, reciclando e experimentando exercícios que já caminham
para uma década de uma rede caótica de produção ética-estética em hardware e software
livre. Este livro de “poções” é edição de algumas receitas que já foram testadas e podem
servir como iniciação para novos chegados nesta rede.
Receitas como: Bioenergia gerando música, O monocórdio de Ohm, Poesia em 7 segmentos,
Luz e Pulso...entre outras. Estas receitas servem como base para os subsequentes estudos e
experimentos no Hacklab Solar e estão sendo documentadas no sítio:



http://jardins.devolts.org
Para a equipe articuladora do Nordeste, priorizaram-se metodologias e linhas de pesquisas
desejadas e a imersão contínua numa rede local de arte e tecnologias livres, priorizando
também o fluxo de demandas imediatas - encontradas nas comunidades de matriz africana
e indígena, na busca pela concepção de interfaces para observação da vida rural, periferias,
e em instituições interessadas na continuidade e desenvolvimento da Cultura Digital com
softwares e hardwares livres.
→ Metodologia do convívio, entradas e saídas traçadas pela comunidade e a projeção
do local numa rede ampliada - A linha de pesquisa que hoje é chamada Internet das
Coisas, estudando integração entre a web e dispositivos eletrônicos artesanais, foi um dos
modelos continuados na Comunidade do Coque em Recife.
Entre os caminhos testados pela equipe, foi bastante importante o uso de bibliotecas de
animação para javascript para elaboração de games inspirados nas mitologias locais e os
novos padrões de HTML5. Planejamos agora para a segunda fase uma metodologia de
convergência destas técnicas, dentro dos intercâmbios possibilitados por encontros e
residências.
→ Documentação teórico-crítica - Aprofundou-se também, nesta primeira fase, a pesquisa e organizações de fontes para construção de uma Teoria crítica da produção em Cultura Digital. Este trabalho serviu de apoio para o aprofundamento da pesquisa "Contraculturadigital" de Thaís Brito.


→ Retificação de trajetórias e derivas - A demora na saída do prêmio demandou uma revisão no planejamento inicial, que seria ancorar a instância Nordeste do projeto na cidade de Cachoeira (Ba). Considerando-se que os articuladores responsáveis não estavam
mais vivendo em Cachoeira havia mais de seis meses, a equipe considerou o deslocamento das ações presenciais para estas cidades - Olinda e Salvador - suas atuais residências e respectivos campos de ação cultural.
Esta nova configuração rearranjou-se e ainda poderá permitir um intercâmbio entre as bases da primeira etapa e uma ação pontual em Cachoeira-BA (na segunda etapa) que potencialize a parceria já aberta na UFRB com o Prof. Jarbas Jacomé.
As imersões e oficinas do "Cotidiano Sensitivo" no laboratório de gênero e tecnologia na UFBA e a visita do Prof. Cristiano Figueiró (Bacharelado em Interação - UFBA) ao “HackLab Solar” também deixou aberta mais uma possibilidade de potencializar as colaborações de intercâmbio pelo eixo Salvador se for mais conveniente.

Baixe aqui o relatório completo em pdf, versão para impressão.(163MB)
Cotidiano Sensitivo no LabDebug (UFBA)
Cotidiano Sensitivo no LabDebug(UFBA)
http://culturadigital.br/contraculturadigital